Simbolismo dos Contos de Fadas: a Branca de Neve e a Alquimia

Entenda o simbolismo e a relação entre o conto de fadas Branca de Neve e a Alquimia e a relação entre ele e o Hermetismo.

Simbolismo dos Contos de Fadas: a Branca de Neve e a Alquimia

Muitas pessoas nem imaginam, mas os contos de fadas trazem conhecimentos esotéricos antigos escondidos. Por meio deles, muitos ensinamentos são trazidos de forma tão simples que a maioria das pessoas nem percebe.

Um dos conhecimentos antigos presentes no conto de fadas Branca de Neve é a Alquimia. Nele, a simbologia é clara e remete ao processo de iniciação, assim como da jornada da alma rumo à evolução. Vamos ver o que a Branca de Neve e os sete anões nos trazem de aprendizado? Então, continue lendo!

O simbolismo dos contos de fadas

Sabemos que a linguagem simbólica foi e é de grande importância na transmissão de conhecimentos esotéricos. Infelizmente, a era moderna dá pouco ou nenhum valor aos símbolos, razão pela qual ainda utilizamos símbolos e mitos antigos para representar conceitos diversos.

Com essa desvalorização da linguagem simbólica, percebemos que os contos de fadas perderam seus significados e são, hoje em dia, apenas histórias para crianças. Na verdade, não foram eles que perderam seus significados, eles permanecem lá para quem tem olhos de ver e ouvidos para ouvir.

O que mudou foi o homem moderno, que não se aprofunda, que desenvolveu a mente concreta e perdeu a capacidade de ver as coisas de uma perspectiva mais sutil. Para a sociedade moderna, contos de fadas são apenas histórias inocentes para criança.

Entretanto, nós não vemos dessa forma. E hoje, vamos falar sobre o sentido real por trás de um conto de fadas muito famoso: da Branca de Neve e dos sete anões.

Branca de Neve e a Alquimia

E assim começa a história…

Uma vez, no auge do inverno, quando flocos de neve caem como plumas das nuvens, uma rainha estava sentada à janela de seu palácio, costurando as camisas de seu marido. Nisto, levantou os olhos, espetou um dedo e caíram gotas de sangue na neve. E vendo o vermelho tão bonito sobre o branco, a rainha pensou:-

– Queria ter uma filha tão alva quanto a neve, tão vermelha como este sangue e tão negra como o ébano desta janela. Pouco tempo depois lhe nasceu uma filha que era branca como a neve, vermelha como o sangue e com uns cabelos negros como ébano. Por isso lhe puseram o nome de Branca de Neve. Mas, quando ela nasceu, a mãe morreu…

De cara já vemos as três cores alquímicas: preta, vermelha e branca. Isso nos mostra também de cara que a personagem central, ou seja, a Branca de Neve, sintetiza em si as três cores alquímicas.

As três cores alquímicas

Essas três cores, no Hermetismo, simbolizam as três etapas da prática no caminho espiritual, que são o negro (Nigredo), o branco (Albedo) e o vermelho (Rubedo).

Interessante observar também que dois números são muito presentes em toda a história. São eles o 3 e o 7 , que têm associação com a Tetraktys Pitagórica.

Na Tetraktys Pitagórica, o 10 é símbolo da unidade do universo eterno, formando os três pontos dos vértices o Triplo Logos ou o Divino e os 7 pontos internos, os 7 Raios os planos da natureza, que conformam o cubo da matéria.

As vezes em que o número 3 aparece na história:

  • A quantidade de gotas de sangue;
  • A divisão da história se dá em 3 partes;
  • As 3 provações;
  • As 3 tentativas da bruxa; e
  • As 3 “mortes”.

Os sete anões

Já o número 7 podemos ver na quantidade de anões. Sem contar que tudo relacionado a eles está também relacioando a este número.

Como vemos os 7 anões do ponto de vista simbólico, também associado à Alquimia? Eu reconheço aqui as 7 operações alquímicas: calcinação, dissolução, sublimação, coagulação, mortificação, separação e conjunção.

Entretanto, impossível não observar o 7 fazendo referência a passagem do mundo exterior para o interior, que é onde de fato vão se desenrolar nossas batalhas no caminho de desenvolvimento ou como costumo dizer: de conhecimento de si mesmo, que conforme Poimandres no Corpus Hermeticum, nos faz conhecer o Deus Supremo.

Então, esses 7 são os 7 Poderes, 7 Potencialidades, os 7 Governadores, que conforme vemos no Corpus Hermeticum.

De forma bem resumida, podemos dizer que simbolicamente no Conto de Fadas Branca de Neve:

  • A floresta representa as provas antes da iniciação;
  • Os anões as sete estâncias da alma (No Corpus Hermeticum vemos essas parte como os Sete Governadores, ou Sete Poderes);
  • A morte da Branca de Neve o renascimento antes de encontrar a luz. Seria a morte iniciática, aquele que ocorre no Nigredo antes de passar para a fase do Albedo;
  • A maça são os desejos mundanos;
  • Quanto à rainha má podemos associar aos enganos dos desejos mundamos, associados à materia, ao que é mortal. Ou ainda, “a tecedeira do destino, à semelhança das Parcas, com os seus pontos e nós vai unindo os caminhos e produzindo as imagens como os arquétipos que se desenham na alma humana“.

Analogias com o estudo hermético

Achei muito interessante como esse Conto de Fadas de fato traz associações com nossos estudos herméticos, em especial o estudo alquímico. Não me restam dúvidas de que é uma história com via simbólica riquíssima.

Vamos observar que no início o par de opostos Rei e Rainha-Mãe (a mãe boa da Branca de Neve) vivia em harmonia. Par de opostos esse que pode ser também reconhecido como Adão e eva bíblicos, e Hochma e Binah na Cabala.

No entanto, um desequilíbrio ocorre a partir do momento da morte da Rainha-Mãe, algo que faz com que ocorra um afastamento da Unidade, representado pela chega da Rainha-Má, a madrasta (simbolizando o Demiurgo ou a dualidade).

Após esses acontecimentos, Branca de Neve perde sua dignidade de princesa e se torna serva da madrasta, mesmo tendo em si a marca das três cores, algo que a qualifica como “ser especial”.

Aqui é interessante ver a relação de ocorrências semelhantes ao que lemos no Corpus Hermeticum, que mostra um humano que é mortal e imortal ao mesmo tempo. Que tendo o poder sobre todas as coisas, submete-se ao que é mortal (por própria escolha, por enamorar-se da sua própria forma, que se mostra por meio da sua sombra, na terra).

Nós, embora tenhamos a marca das três cores, assim como a Branca de Neve, esquecemos disso. Fomos relegados à floresta, ao sono e as paixões, expulsos pela Rainha-Má, que aqui simboliza também e ao mesmo tempo as paixões vis e os dogmas.

Caímos numa situação subalterna em relação ao que realmente somos. É preciso retomar o conhecimento de si mesmo, que nos leva ao conhecimento de Deus, afinal, como diz no Corpus Hermeticum: “aquele que conheceu a si mesmo caminha para Deus“, e “Que o ser humano que tem a inteligência conheça a si mesmo“. Essa inteligência é a consciência do que é imortal.

Por fim, é preciso reunir em si o disperso, reintegrar-se em retiro além da floresta e nas montanhas, para depois se unir ao Espírito, que aqui é sem dúvida figurado pelo Príncipe (no Hermetismo visto como o “conhecimento de si mesmo” ou o Mercúrio Filosófico na Alquimia).

Bom, essas foram algumas observações sobre a via simbólica por trás do conto de fadas Branca de Neve e os sete anões e sua relação com o Hermetismo e a Alquimia.

São breves anotações de um estudo mais aprofundado que estou fazer e que vai render um ebook que será disponibilizado em breve, sobre o Simbolismo dos Contos de Fadas.

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Estudante de hermetismo e esoterismo, compartilho com você material, referências e reflexões dos meus estudos nessas áreas.

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1 Comentário

  1. IRANI DOS SANTOS VEIGA disse:

    Nossa não tenho mui conhecimento mas maravilhosa explicação vou seguir para ter mais conhecimento tem sentido e real Parabéns.