O que significa “Solve et Coagula”?

Hoje vou falar um pouco sobre um assunto muito conhecido por quem se interessa por hermetismo e em especial por Alquimia: solve et coagula.

 

Em latim, a expressão se refere a um princípio alquímico que quer dizer “desmontar e unir”. Sabemos que a Alquimia traz como principal finalidade a transformação de chumbo em ouro. 

 

Esse é o objetivo popularmente conhecido, mas a Alquimia trata de todo processo de transmutação, seja ele no reino mineral (ou metálico), vegetal ou animal. Ela visa a elevação de um estado mais grosseiro para um mais sutil.

 

Solve e coagula é o princípio básico das transformações alquímicas, inclusive da Alquimia Interior. No caso da matéria, utiliza-se o fogo exterior para os processos de transmutação. Quando a transmutação é do próprio operador, usa-se o fogo interior. 

 

Essa diferenciação é importante para mostrar que o solve et coagula está presente tanto na Alquimia da matéria grosseira quando da “Alma grosseira”. O processo é o mesmo no laboratório interior e exterior. 

 

Por isso, a Alquimia deve ser analisada relacionando o chumbo com a alma profana, com a ignorância; e o ouro com tudo o que é sagrado, com a alma pura. 

 

Solve e coagula são duas fases do processo alquímico, em que solve refere-se basicamente a dissolver. É importante compreender que entre solve e coagula existe a purificação

Solve et coagula

Solver (ou dissolver) compreende a primeira fase do processo, e nele o alquimista separa a matéria em três partes ― ou substâncias ― que são: Mercúrio (espírito), Enxofre (anima ou alma) e Sal (corpo físico). Cada uma dessas partes é submetida à purificação, ou seja, à elevação de suas vibrações.

 

Em outras palavras, podemos dizer que solve remete à desmontar, à desconstruir todos os preconceitos, maus costumes, vícios e tudo o mais que fazemos e nos deixa densos.

 

Uma vez que ocorre a purificação, é feita a reunião das três partes, já livres de tudo o que é grosseiro. Esse é o coagula, a segunda fase do processo alquímico, quando as partes se unem novamente para formar um só corpo, mas em estado superior. 

 

Filosoficamente, é quando juntamos tudo o que é bom para nós, tudo aquilo que contribui para nossa elevação. Refere-se à construção dos nossos conhecimentos a partir dos vestígios de sabedoria que restaram do processo de desmonte, ou seja, do “solve”.

 

Devemos compreender que o “solve et coagula”, seja ele externo ou interno, não ocorre de um dia para o outro. Mas, devemos aplicá-lo todos os dias, buscando sempre nossa melhoria. Devemos nos polir diariamente com o objetivo de transmutar a nós mesmos, com o objetivo de chegar o mais próximo da perfeição.

 

Esse é o verdadeiro processo alquímico interior: o desmonte da nossa ignorância para a purificação e depois o remonte rumo à verdadeira sabedoria. Que no laboratório da vida sejamos iguais ao operador que no laboratório de alquimia deseja transmutar o mais vil metal no metal mais valioso.

Parafraseando Paracelso, nosso trabalho começa onde termina o da natureza. 

 

Para enviar seu comentário, preencha os campos abaixo:

Deixe uma resposta

*

Seja o primeiro a comentar!