Nós, estudantes do Hermetismo, devemos cuidar para que nosso estudo não caia no erro de ser apenas teórico. Para que o conhecimento seja útil, é imprescindível que nos torne melhores (Sócrates); e isso só é possível quando aliamos a teoria à prática.

Observando e refletindo sobre o Princípio Hermético de Polaridade, fica a pergunta: como ele pode ser colocado em prática, na nossa vida diária, nas nossas ações e para nortear nossas decisões?

No Caibalion diz que a Polaridade é que habilita o hermetista a transmutar um estado mental em outro ― de si mesmo ou de outras pessoas. Diante disso, compreende-se que não há Alquimia sem o entendimento e aplicação deste princípio. É este conhecimento que habilitará o estudante a compreender melhor seus estados mentais e o de outras pessoas. 

Mas, antes de entender como usar a Polaridade na vida prática, é preciso saber o que ela é. Segundo o hermetismo, a Lei da Polaridade é um dos Princípios Herméticos, trazidos até nós através dos séculos, por Hermes Trismegistus. De acordo com ele:

“Tudo é duplo; tudo tem dois pólos; tudo tem seu par de opostos; o semelhante e o dessemelhante são uma coisa só; os opostos são idênticos em natureza, mas diferentes em grau; os extremos se tocam; todas as verdades são meias-verdades; todos os paradoxos podem ser reconciliados”.

Segundo o Princípio da Polaridade, tudo seu seu oposto e, por mais que muitas pessoas vejam o oposto como algo diferente, não é. Os opostos diferem apenas em graus, por mais que “pareçam” diferentes. Por exemplo: o calor e o frio. O que determina se uma coisa é fria ou quente são os graus de temperatura dela. 

O mesmo ocorre no Plano Mental. Ódio e Amor, por exemplo, são graus da mesma coisa. Assim também ocorre com: Medo – Coragem; Bem – Mal; Positivo – Negativo; Ruído – Silêncio; etc.

Uma vez que duas coisas são apenas o pólo uma da outra, é possível a transmutação. E essa informação é bastante útil. Diria até que é a base de todo conhecimento Alquímico e Mágico. Trabalhamos muito melhor nesses campos sabendo aplicar a Polaridade, cientes da sua existência e aplicação. 

Uma vez que duas coisas aparentemente opostas são a mesma coisa, diferindo apenas em grau, é possível transmutá-la e é aí que entra o trabalho do hermetista. Ele vai, conforme as linhas de polarização, trabalhando para alcançar o pólo desejado. 

Por exemplo: ao trabalhar com o medo, elevando as vibrações mentais na linha do Medo e da Coragem, é possível, simplesmente pela polarização na direção da qualidade desejada (neste caso, Coragem), transformar um homem medroso em corajoso. Isso mostra que a mudança de estado mental é ocasionada pela mudança na polaridade. 

Mas veja bem: é possível transmutar coragem em medo (e vice-versa); amor em ódio (e vice-versa); positivo em negativo (e vice-versa). Mas, não é possível transmutar Medo em Amor, Coragem é Ódio e assim por diante. Isso acontece porque a mudança não é da natureza de uma transmutação de uma coisa em outra coisa inteiramente diferente, mas é simplesmente uma mudança de grau nas mesmas coisas.

No plano físico, por exemplo, podemos transformar calor em frio, alto em baixo e assim por diante. Mas, não podemos transformar calor em altura, frio em ruído. Isso se dá porque a mudança não é de natureza e sim de grau. 

O estudante que entende a Polaridade sabe que tudo tem seu par de opostos, então, não há tristeza que não possa ser transmutada em alegria. Que não há ódio que não possa ser transformado em amor. Que não há preguiça que não possa ser transformada em atividade. E como fazer isso? Vibrando na Polaridade desejada. 

A Polaridade está em tudo: na natureza física e na natureza psicológica. Levando em conta a aplicação dela no contexto psicológico, das nossas emoções, podemos transmutar nossos estados mentais inicialmente pela consciência de que elas podem ir de um grau a outro e não há impedimento quanto a isso.

As induções mentais podem ser feitas para si e para outros, por meio de aplicações das mais diversas. E é por meio delas que colocamos o Princípio de Polaridade em ação. Inclusive, a ciência moderna está caminhando para provar que “nossos pensamentos são, na verdade, emanações.”. Que criamos primeiro na dimensão mental, para materializar na dimensão física. 

Como podemos ver no livro O Caibalion, “Quando se compreende que a Indução mental é possível, isto é, que estes estados mentais são produzidos pela indução de outros, então se pode ver imediatamente como um certo grau de vibração, ou a polarização de um certo estado mental, pode ser comunicado a outra pessoa, e assim se muda a sua polaridade nesta classe de estados mentais”.

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