Saudações meus caros amigos,

Navegando pela internet, deparei-me com um vídeo muito interessante sobre ESTOICISMO. Como sou amante de Filosofia e achei que seria interessante trazer o assunto para vocês, resolvi escrever este post sobre resiliência, serenidade e a arte de viver em paz, independentemente da circunstância.

Mas afinal, o que é ou o que foi o Estoicismo?

Trata-se de uma doutrina fundada por Zenão de Cício, por volta de 335 – 264 a. C, que acabou sendo desenvolvida por diversos filósofos — como Marco Aurélio, Sêneca, Epicteto. O Estoicismo caracteriza-se por uma “ética em que a imperturbabilidade, a extirpação das paixões e a aceitação resignada do destino são as marcas fundamentais do homem sábio, o único apto a experimentar a verdadeira felicidade — O estoicismo exerceu profunda influência na ética cristã“. Pode-se dizer que é uma escola de filosofia moral.

Trazendo uma linguagem mais simples para explicar o estoicismo, podemos dizer que ele foi utilizado para que homens e mulheres triunfassem diante de seus problemas, mostrando que a filosofia não precisa ser apenas um jogo de palavras e pensamentos. Sêneca — um dos estoicos mais famosos — disse que a “filosofia nos ensina a agir, não a falar“. E ele está certo, não é mesmo? Afinal, de que adiante apenas pensar, pensar, se o fruto dessas reflexões não nos fizer agir?

Estoicismo pode parecer uma palavra estranha, difícil, mas a verdade é ela é muito atual. Hoje em dia fala-se tanto em resiliência, em aceitar a imprevisibilidade do mundo, em buscar em nós mesmos a solução dos nossos problemas, enfim, em tratar do interior para curar o exterior! Bem moderno, não é mesmo?

Como dizia no vídeo que citei no início deste texto, o estoicismo foi uma escola filosófica que teve como foco principal a vida real e que serve para toda pessoa, sendo perfeitamente aplicável aos dias de hoje.

Prova disso — de que ela pode ser aplicada a qualquer pessoa — é que seus dois maiores representantes foram bastante opostos. De um lado Marco Aurélio, imperador romano e homem mais importante de sua época; de outro lado Epitecto, escravo e aleijado. Dois extremos, mas que se encontravam defendendo a mesma filosofia.

Epicteto, Sêneca, Marco Aurélio

Para entender melhor como o Estoicismo se relaciona com temas como serenidade e resiliência, vamos analisar algumas frases.

“Não é o que acontece com você, mas é como você reage que importa.” (Epicteto)

Muitas vezes queremos controlar o que não podemos controlar. O estoicismo nos impele a não perder tempo e energia com esse intento e nos leva a separar o que é interno do que é externo. Ele diz que trabalhando no campo interno sem se apegar às coisas externas, conseguimos obter serenidade e paz. Além disso, nos faz lembrar que não são as coisas externas que nos definem, mas nossa reação em relação a elas. Ou seja, o que deve mudar é nosso processo interno.

“Não perca mais tempo discutindo sobre o que um homem bom deveria ser. Seja um.” (Marco Aurélio)

“Muito pouco é necessário para uma vida feliz; está tudo dentro de você, em seu modo de pensar.” (Marco Aurélio)

“Até que tenhamos começado a viver sem elas, não conseguimos perceber o quão desnecessárias muitas coisas são. Nós vínhamos usando-as não porque precisávamos delas, mas porque as tínhamos.” (Sêneca) 

“Se você quer realmente escapar das coisas que o incomodam, o que você precisa não é estar em um lugar diferente, mas ser uma pessoa diferente.” (Sêneca)

“Às vezes, até viver é um ato de coragem”. (Sêneca)

“Doente e ainda assim feliz, em perigo e ainda assim feliz, morrendo e ainda assim feliz, no exílio e ainda assim feliz, na desgraça e feliz.” (Epicteto)

Princípios Estoicos

Os estoicos acreditavam em princípios e o primeiro deles é que o “Universo é regido por uma lei universal (E justa)“. Eles não aceitavam a casualidade, pois acreditavam que as coisas têm um propósito. Interessante aqui salientar que essa lei universal que rege o cosmos deve ser justa, pois eles não acreditavam que a injustiça seja capaz de gerar a vida e que sustente o universo. Se existe uma lei que sustenta o Universo ela deve ser justa, pois permite a existência.

O segundo princípio diz que “Tudo o que acontece tem origem na lei“. Logo, há uma aceitação do destino, inclusive da morte. Há resiliência sobre os fatos da vida, sem reclamação e muito menos vitimismo. A partir do momento que temos a ideia de que o Universo não é fruto do acaso, que tudo tem um propósito justo, não cabe reclamar. Os estoicos aceitam os desígnios da vida com resiliência.

Estoicismo

O terceiro princípio que rege o estoicismo é o “Viver segundo a natureza“. De acordo com o pensamento grego, as coisas se definem por algo que são apenas delas. Então, para definir um ser humano, por exemplo, é preciso encontrar algo que é só dele. Então, viver segundo a natureza aqui nessa existência, é viver segundo a natureza humana, que é a razão.

Para finalizar este texto, uma incrível constatação do Imperador Marco Aurélio — conhecido como imperador-filósofo. Ele fala sobre a impermanência das coisas e como somos todos parcela de uma mesma divindade. Incrível como ele refletia bem sobre essas coisas:

De manhã cedo, dize logo a ti mesmo: Encontrarei um indiscreto, um ingrato, um arrogante, um trapaceiro, um invejoso, um egoísta. Tudo isso lhes advém da ignorância do bem e do mal. Mas eu, tendo reconhecido que a natureza do bem é a virtude e a do mal é o vício, e que o pecador é por natureza meu parente – não do mesmo sangue ou semente, mas pela inteligência e por participar de uma parcela da divindade – não posso considerar-me ultrajado por qualquer um deles.

Nenhum deles me contaminaria com o vício. Não posso tampouco irritar-me contra meu parente nem odiá-lo; pois fomos feitos para cooperar, assim como os pés, como as mãos, como as pálpebras, como as fileiras superior e inferior dos dentes. Agir como adversário é, então, contra a natureza. E é ser adversário irritar-se com os outros e evitá-los.”

(Marco Aurélio)

Inclusive, existe um livro de Marco Aurélio muito bom, que eu recomendo para leitura, caso queira ler mais sobre estoicismo. Chama-se “Meditações“. Outro livro estoico muito bom é do filósofo Sêneca. Chama-se: “Sobre a brevidade da vida

“Deve-se aprender a viver por toda a vida, e, por mais que tu talvez te espantes, a vida toda é um aprender a morrer”. (Sêneca)

“Não é curto o tempo que temos, mas dele muito perdemos. A vida é suficientemente longa e com generosidade nos foi dada, para a realização das maiores coisas, e a empregamos bem.”

Mas, quando ela se esvai no luxo e na indiferença, quando não a empregamos em nada de bom, então, finalmente constrangidos pela fatalidade, sentimos que ela já passou por nós, sem que a tivéssemos percebido.”

(Sêneca)

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