Alquimia e Calcinação

Sabemos que os alquimistas visavam a transmutação metálica, como o famoso “transformar chumbo em ouro”. Mas, isso está longe de ser o seu único objetivo e, somente quem não se aprofunda, ainda acreditam que a Alquimia tenha apenas esse objetivo, sem considerar os objetivos filosóficos por trás dessa Arte.

Além de trabalhar no laboratório, com seus vasos, retortas, vidrarias e substâncias das mais diversas, os alquimistas (do passado e de agora) também trabalham no laboratório da alma.

Enquanto purificam a matéria prima, purificam-se a si mesmos, utilizando na matéria o fogo apropriado e em si mesmo o fogo da consciência. Não é de se surpreender que em seus laboratórios os alquimistas reservavam um espaço para anotações, meditações e orações. 

As operações para a obtenção da Pedra Filosofal, que teria o poder de transmutar metais comuns em ouro, além de prolongar a vida humana e curar todas as doenças, tinha o objetivo de trabalhar a matéria, em um processo que conhecemos como “solve et coagula”.

Solver e coagular por meio de diversas operações que levam tempo, requerem paciência e outras habilidades. 

O que algumas pessoas não sabem é que essas operações podem ser aplicada à consciência, para a obtenção da nossa pedra na esfera pessoal. Para isso, uma série de práticas são aplicadas para que possamos trabalhar nossa consciência ainda adormecida, com o objetivo de fazer com que ela desperte para sua verdadeira essência divina. 

A primeira dessas operações é a calcinação. 

No laboratório, a Calcinação é quer dizer reduzir ao osso pela ação do fogo. Pretende o aquecimento para a quebra de algo sólido com o objetivo de extrair a água ou qualquer composto volátil.

A substância passa por um fogo inicial e fica tão dura e seca que não é mais atingida por fogo nenhum. É uma das operações do Nigredo e essencial no começo da Obra.

No laboratório da Alma, também passamos por processos de calcinação. A matéria trabalhada é o ego. O fogo utilizado nesta operação é a Consciência. Há quem diga que as experiências da vida também funcionam como Fogo no processo de calcinação pessoal.

Quando nos dispomos a passar por esse processo, um processo alquímico, percebemos logo no início ser uma etapa difícil, que nos choca e desilude. É um processo de esvaziamento do ego, como se estivéssemos sendo jogados em um abismo, sendo despedaçados e queimados em cinzas.

Esse é o objetivo da calcinação, não é? Reduzir ao osso… reduzir às cinzas. É o nosso ego sendo calcinado até só restar as cinzas, de onde vai renascer um novo Eu. 

Quem estuda alquimia sabe que essa operação é necessária e que dessa cinza nasce o enbranquecimento, numa tentativa de resgate da nossa força vital.

Além da consciência, as experiências da vida muitas vezes agem também como calcinadores, por isso, acredito que esse processo de calcinação ocorre com todos, independente de estarem conscientes ou não disso.

Obviamente, quanto mais conscientes estivermos desse processo, mais condições teremos de controlar os resultados e compreender que a negritude e tudo o que ela traz são necessários para que a Aurora ressurja e nos convide para uma nova fase, de brancura, de purificação.

Isso é Alquimia.

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Sobre o autor | Website

À medida que realizo meus estudos alquímicos e que busco praticar os ensinamentos da Grande Arte, trago para este espaço informações e dicas para todos aqueles que, assim como eu, enxergam a Alquimia como possibilidade de transformação e evolução.

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