Alquimia e a transformação do chumbo em ouro

A alquimia espiritual está intimamente ligada ao conhecimento oculto e secreto e muitos que alcançaram esse nível de sabedoria decidiram depois retirar-se, pois descobriram que não estavam prontos para recebê-lo.

Alquimia e a transformação do chumbo em ouro

A alquimia espiritual está intimamente ligada ao conhecimento oculto e secreto e muitos que alcançaram esse nível de sabedoria decidiram depois retirar-se, pois descobriram que não estavam prontos para recebê-lo.

O propósito da alquimia espiritual é alcançar um estado antigo que permita o acesso às respostas às seguintes questões: “Quem somos? De onde viemos? E para onde estamos indo?”

A Cabala descreve a estrada e o destino, mas a alquimia descreve o processo e as transformações necessárias para encontrar as respostas fundamentais.

Alquimia física e espiritual

A alquimia medieval tem suas origens no Egito à medida que se espalhou desta área para a Europa.

Desde então, ela tem sido frequentemente descrita como “Ars Laboriosa Convertens Humiditate Ignea Metala In Mercuris” (Arte laboriosa de transformar a umidade do metal ardente no Mércurio), referente à transformação da umidade do fogo em mercúrio.

Em outras palavras, é a arte por trás da transformação o chumbo em ouro.

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Alquimia e o campo do inconsciente e da consciência

Vamos fazer uma introdução no vasto campo entre o céu e o inferno,
ou, entre o inconsciente e a consciência.

Popularmente a alquimia é conhecida como a ficção da transformação de um vil metal em ouro e na busca dessa realização deu-se origem à Química; porém é desconhecida sua utilidade prática que não implica, necessariamente, na transmutação em ouro.

Este é apenas um aspeto da alquimia ocidental, poderemos entender melhor a abrangência de sua riqueza através a Alquimia oriental, difundida pelo Taoísmo na busca do Elixir da longa vida.

O caminho para o encontro com o Tao é o caminho que o homem pode chegar a sua integridade, à concordância entre seu interior e o seu exterior — a coincidentia oppositorum do micro com o macrocosmo.

Em termos da alquimia taoísta implica na “moldagem da alma-yin a fim de transformá-la em alma-yang, isto é, apagar a luz da consciência, que originalmente faz parte da natureza yang, e que foi turvada pelas cobiças e vícios de nossas idiossincrasias — alma-yin, que leva a energia vital a se transbordar e se perder.

Quando assim esbanjado, o homem adoece; quando enfraquece, o homem envelhece; e, quando se esgota, sobrevém a morte. Por isso é importante manter em harmonia e equilíbrio e moldar a alma yin mediante o Exercício da respiração uniforme, tranqüila e em meditação não apenas para submeter à consciência irrequieta da natureza yin a um certo controle, porém muito mais para colher a energia vital ao oceano de ch’i, a profundidade do inconsciente onde, mediante essa concentração de todas as energias vitais, é ativado o eu, a essência mais íntima do homem”.

Mokusen Miyuki em A Doutrina da Flor de Ouro.

Alquimia e a transformação do chumbo em ouro

A contribuição de Jung

Devemos méritos a C.G. Jung pela utilização da Alquimia na prática psicológica.

Da mesma forma que os antigos alquimistas se colocavam a serviço da natureza para apressar seu processo de evolução, a análise junguiana, não só possui este objetivo, como também, percebe na alquimia todo um processo que acompanha o desenvolvimento psíquico — que Jung denomina Individuação.

Se fizermos um rastreamento da Alquimia, poderemos perceber, claramente, a ligação desta disciplina com a psicologia.

Leitura indicada: Jung e a Alquimia: psicologia e as fases do processo alquímico

Jung declarou que, fundamentada na filosofia natural da Idade Média, a alquimia formava, de um lado, a ponte em relação ao passado, com o gnosticismo, e, do outro, ao futuro, com a moderna psicologia profunda.

Na alquimia, Jung constatou um dos mais importantes ramos do que se tem por vezes chamado de Tradição Pansófica ou a herança de sabedoria originária de fontes gnósticas, herméticas e neoplatônicas, através de numerosas manifestações posteriores até a época contemporânea.

Três princípios de dedicação

O alquimista com a finalidade da realização da Grande Obra, se estendia por três princípios de dedicação, que são:

1º. ao mundo intelectual, dizendo ao homem: “levanta-te até Deus por meio do êxtase e da sublime comunhão que existe entre a natureza e o altruísmo”;

2º. ao mundo astral ou psíquico: o aprendiz devia conquistar a santidade dominando os sentidos, e entrar no mundo astral, libertando a alma (o duplo sidéreo) das cadeias corpóreas;

3º. ao mundo físico, mediante a transmutação dos corpos e dos metais, operada com a síntese química.

A capacidade de produzir o ouro perfeito, o alquimista deveria saber produzir o ouro filosófico e o ouro astral. Para se ter uma idéia do difícil aprendizado, Pitágoras em sua iniciação no Egito levou cerca de 20 anos.

O simbolismo alquímico

Não são todos que possuem a predisposição de ver o que está por de traz daquilo que se apresenta. Quanto mais quando se lida com símbolos alquímicos.

Os alquimistas não passavam seus segredos a qualquer discípulo, o conhecimento era transmitido, concomitante, à medida da evolução espiritual alcançada por ele.

O bom entendedor dos aspectos simbólicos (o alquimista em potencial), consegue ver o ‘espírito da matéria’.

O trabalho do alquimista encontra-se em unir os opostos. O princípio disso está no discernimento do espírito que cada matéria possui, pois cada matéria possui seu par. E é na união dos opostos (sem deixar de lado o grande amor avassalador da ‘alma parceira’) é que se alcança o casamento alquímico.

Com esta capacidade é que se discrimina o grau de evolução do alquimista em potencial, inserido em várias áreas da vida: nas artes, astrologia, medicina, psicologia, filosofia, ecologia, na simples vida cotidiana etc.

transformação do chumbo em ouro

O conhecimento da alquimia permite o agir duma maneira menos alienante e mais criativa, possibilita o entendimento do processo da vida.

Talvez Nietzsche não teria sofrido tanto, se tivesse um conhecimento de alquimia, pois poderia conscientizar-se que seu ‘super homem’ não passou de uma projeção psíquica.

Ele, incomodado pela massificação da religião, desceu em seu mundo atônico e de lá emergiu aos céus com seu ‘super homem’ e com ele se identificou — neste momento, teve a experiência de uma vivência arquetípica.

É comum nos momentos de grande insatisfação, deparar com nossa Sombra que é oculta e/ou reprimida pela consciência; ela é uma verdade preciosa que, em determinado momento, vem à luz, porém, não pode reinar, ela é importante, apenas, para ser assimilada.

Na alquimia, este estado é denominado de ‘coniunctiones’ e dela surge o novo nascimento.

A identificação de Nietzsche não permitiu esse passo, pois ele foi tomado pelo que os gregos chamam de hybris — o querer possuir o que pertence aos deuses. Em outros termos, Nietzsche teve uma inflação egóica.

Fonte: Italo J.Furletti.

Sobre o autor | Website

Estudiosa de Hermetismo, Alquimia, Tarô e Cabala. Interesse especial em Iconografia Alquímica. Idealizadora da Página Hermetismo e Alquimia, do Grupo de Estudos Herméticos conteudista do Projeto Mulheres da Magia.

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